Damares defende parceria com profissionais de beleza no combate à violência doméstica

Deputada da oposição critica proposta do governo e pede o fortalecimento dos serviços públicos de atendimento à mulher
Pablo Valadares/Câmara dos Deputados
Audiência pública sobre as perspectivas de atuação futura do Ministério da Mulher. Ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves
A ministra Damares Alves defendeu o treinamento de profissionais de beleza para ajudarem na identificação de mulheres vítimas de violência doméstica.
A Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher realizou audiência pública na terça-feira (16), com a presença da ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, para debater o plano do governo para o enfrentamento da violência contra a mulher.
Damares Alves explicou que o ministério vai manter os programas que estão funcionando, como a Casa da Mulher Brasileira, que acolhe e orienta mulheres vítimas de violência.
A ministra disse também que está sendo realizado um levantamento em conjunto com o Ministério da Justiça sobre aplicativos que contam com um “botão de pânico”. Segundo Damares Alves, o objetivo é utilizar a tecnologia para o atendimento a mulheres que estejam correndo perigo.
Manicure
Em março, o ministério lançou a campanha Salve um Mulher. Damares Alves explicou que num primeiro momento os profissionais ligados à beleza serão treinados para identificar e ajudar mulheres vítimas de violência doméstica.
“Essa experiência existe no estado do Mato Grosso do Sul, desenvolvida pelo Tribunal de Justiça do estado com resultados extraordinários. Como vai acontecer? A manicure na hora dela fazer a unha a gente vai estar trabalhando com essa manicure para que ela comece a observar se não tem nenhuma marca no braço da mulher, ela pode identificar sinais de agressão, ela pode identificar inclusive se a mulher está agitada ou ela está triste, ou ela está em pânico. E nós vamos capacitar a manicure, o cabeleireiro, a maquiadora para abordar, fazer a abordagem com essa mulher, mas mais que abordar, orientar esta mulher a procurar socorro, mais que orientar, se prontificar a ir com ela buscar socorro”, explicou a ministra.
Damares Alves disse ainda que a campanha terá mais duas partes para capacitar os representantes de várias confissões religiosas e os profissionais de academias para identificar e orientar as vítimas de violência doméstica.
Prioridades
Para a deputada Sâmia Bomfim (Psol-SP), não adianta capacitar esses profissionais se os serviços públicos não estiverem aptos a realizar os atendimentos.
Pablo Valadares/Câmara dos Deputados
Audiência pública sobre as perspectivas de atuação futura do Ministério da Mulher. Dep. Sâmia Bomfim (PSOL - SP)
Deputada Sâmia Bomfim: "não adianta capacitar esses profissionais (dos salões de beleza) se os serviços públicos não estiverem aptos a realizar os atendimentos."
“Eu acho que toda campanha de combate à violência é válida com qualquer categoria profissional, por isso é importante também com os salões de beleza, com os profissionais que trabalham nos salões, mas não é responsabilidade deles. Primeiro porque eles atingem uma parcela pequena de mulheres brasileiras. Muitas mulheres inclusive quando são agredidas elas cancelam as agendas públicas, ou seja, eles não vão conseguir fazer a identificação dessa realidade. Por isso o que precisa ser fortalecido são os serviços públicos: delegacias das mulheres, casas de passagem, casas abrigo, profissionais de saúde da família, que dentro dos lares conseguem identificar se a mulher está sendo vítimas de violência. Mas, os profissionais de beleza não devem ser prioridade como a ministra coloca”, observou a deputada.
Clamor social
Já a deputada Carla Zambeli (PSL-SP) acredita que o ministério está no caminho certo nas políticas de proteção à mulher.
“Existe todo um clamor social de que a mulher seja vista como alguém importante, não necessariamente como uma vítima, como condutora de família, como condutora de vários setores da sociedade, mas recebendo um apoio do Estado de maneira real”, disse Zambeli.
A ministra Damares Alves pediu apoio dos parlamentares para que destinem emendas para o ministério, que, segundo ela, “tem muitos programas, mas um orçamento limitado”.

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