Beto Richa e outros 12 viram réus na Operação Rádio Patrulha


O ex-governador do Paraná Beto Richa (PSDB) e mais 12 pessoas viraram réus na Operação Rádio Patrulha, do Ministério Público do Paraná (MP-PR). A denúncia foi aceita na terça-feira (30) pelo juiz Fernando Bardelli Silva Fischer, da 13ª Vara Criminal de Curitiba.

A operação investiga um esquema de propina para desvio de dinheiro por meio de licitações fraudulentas no programa "Patrulha do Campo", para recuperação de estradas rurais do estado.



O ex-governador foi preso em 11 de setembro. Após a prisão, foi emitido um habeas corpus pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ele foi solto, quatro dias depois após sua prisão.

Ao aceitar a denúncia, o juiz afirmou que entre as principais provas contra Richa está uma gravação em que ele trata de assuntos relacionados ao atraso do pagamento de propina com o delator Tony Garcia.

A decisão indica que outras provas são a autorização da licitação do programa e a realização de aditivos, diversas menções ao ex-governador em conversas de outros réus e o fato "dos eventuais delitos terem sido praticados sob a estrutura do seu governo".



Investigação

Segundo o MP, empresários e pessoas ligadas a eles ofereciam dinheiro em troca de atos de ofício por parte de agentes públicos para saírem vencedores nas licitações.

O valor acertado, de acordo com os procuradores, correspondia a 8% do valor bruto dos contratos. Ao todo, diz a denúncia, foram pagos R$ 8.152.474,44 em vantagens indevidas, em 36 pagamentos mensais.

Beto era o "principal destinatário final das vantagens indevidas prometidas pelos empresários, plenamente ciente das tratativas e reuniões realizadas", afirma a denúncia.

Veja os réus e os crimes imputados:


Beto Richa – corrupção passiva e fraude a licitação
Pepe Richa – corrupção passiva e fraude a licitação
Deonilson Roldo – corrupção passiva e fraude a licitação
Ezequias Moreira – corrupção passiva e fraude a licitação
Aldair Petry – corrupção passiva e fraude a licitação
Edson Casagrande – fraude a licitação e corrupção ativa
Túlio Bandeira – fraude a licitação e corrupção ativa
Emerson Savanhago – fraude a licitação
Robison Savanhago – fraude a licitação
Luiz Abi Antoun – corrupção passiva
Celso Frare – corrupção ativa
Joel Malucelli – corrupção ativa
André Felipe Bandeira – corrupção ativa


O que dizem os citados

As defesas do ex-governador, do irmão dele Pepe Richa, de Ezequias Moreira, Deonilson Roldo e André Bandeira declararam que só irão se manifestar no processo.

O advogado de defesa de Luiz Abi considera temerário o recebimento de denúncia "pautada exclusivamente na palavra de um delator que por diversas vezes faltou com a verdade ao Poder Judiciário, mesmo na qualidade de delator, e que possui extenso histórico criminal".

A defesa de Edson Casagrande afirmou que "tem a convicção de que o processo demonstrará a inocência de seu cliente e que vai entrar com recurso para trancar a ação penal".

O advogado de Túlio Bandeira disse que a "denúncia não procede e que vai provar a inocência do cliente".

A defesa de Celso Frare informou que o juiz afastou a acusação de fraude em licitação. "Por essa razão, foi diminuída drasticamente a constrição patrimonial contra o Celso". Ele disse ainda que irá se manifestar no processo e que confia na Justiça.

A defesa de Emerson e Robison Savanhago disse que “o recebimento da denúncia é um procedimento normal para esse tipo de expediente" e que na instrução processual terá "plenas condições de mostrar a inocência dos acusados”.

O advogado de Aldair Petry disse que o "recebimento já era esperado em vista da prisão ilegal que ocorreu. Para justificar aquele ato eles precisam dar continuidade. Irá responder com tranquilidade e com a certeza de que nada de irregular ou ilícito cometeu".

A defesa do empresário Joel Malucelli afirmou que "nunca ofereceu nenhuma vantagem indevida a servidor público e sua empresa sequer venceu a licitação em questão. A acusação é improcedente e o processo é a oportunidade de provar sua inocência”.

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