Jornalista critica modelo de eleição das federações de futebol

Divulgação
Audiência CPI do Futebol - Eduardo Gabardo, João Derly e Rodrigo Oliveira
CPI da Máfia do Futebol ouviu jornalistas que escreveram reportagem com denúncias relacionadas às eleições nas federações
O jornalista Rodrigo Oliveira criticou nesta quinta-feira (9) o modelo de eleição das federações de futebol. Segundo ele, fatores como compra de votos, eleições secretas e cláusulas que proíbem chapas inexperientes de se candidatarem contribuem para perpetuar os mesmos dirigentes e estão entre os motivos para os problemas na gestão do esporte no País.
Rodrigo Oliveira falou à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Máfia do Futebol, juntamente com o também jornalista Eduardo Gabardo. Eles são autores da reportagem "Os coronéis do futebol", publicada no ano passado pelo jornal Zero Hora, de Porto Alegre (RS), que faz denúncias relacionadas às eleições nas federações de futebol.
Segundo Oliveira, o modelo de eleição se repete, com pequenas diferenças, em escala estadual e federal. Ele citou o caso da federação de futebol do Espírito Santo, que exige a assinatura de pelo menos cinco dos dez clubes da primeira divisão para autorizar o lançamento de uma chapa.
“O clube que assina uma chapa não pode assinar a da outra. E isso não é o voto, é a subscrição da chapa, para que a chapa possa participar desse colégio eleitoral. Sendo que, quando for começar o processo, quem está no poder já sabe quem vai apoiá-lo e quem não vai. O que cria um notório constrangimento a quem, eventualmente, vai se opor a quem está no poder", afirmou o repórter.
Oliveira disse que é necessária mudança nos regulamentos para permitir oposição os comandos vigentes. "Eu não estou defendendo que quem está na oposição tenha que assumir o poder”, declarou. “O que eu entendo é que seja mais saudável para o futebol brasileiro que esses opositores tenham pelo menos a oportunidade de apresentar essas propostas, a oportunidade de participar do processo eleitoral.”
Corrupção no futebol
O deputado João Derly (Rede-RS), que propôs a audiência, avaliou os depoimentos como positivos e afirmou que a corrupção no futebol é reflexo da sociedade brasileira.
“O futebol não é apartado da sociedade. Pelo contrário, reflete o que somos socialmente. A violência nos estádios reflete a violência que vemos nas ruas. A corrupção que nós temos encontrado no desenvolvimento de eventos e patrocínios, o pagamento de propina, as operações Lava Jato, Zelotes e tantas outras que vemos aí”, disse o deputado.
A CPI voltará a se reunir no próxima terça-feira (14) para tomada de depoimento do ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) Ricardo Teixeira.


Reportagem – Ana Gabriela Braz
Edição – Pierre Triboli

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